De mais feminino, precisa-se

(Esta crônica é republicada em homenagem ao Dia da Mulher.)
Tanto se banalizaram as riquezas da Vida que, ultimamente, hesito em referir-me a homem e mulher. Homens feminizam-se, mulheres masculinizam-se. E, ao fazê-lo, mal percebem o ridículo a que se expõem. E que provocam. O Sol foi é tido como masculino, em toda a vida que esbanja e, também, nas dores que causa. A Lua é feminina e, por isso mesmo, surpreendente, encantadora, misteriosa semanalmente provocando a ser decifrada. Prefiro, pois, diante das belezas naturais de um homem e de uma mulher, referir-me ao masculino e ao feminino que representam. Tudo diz respeito a O e A, a UM e UMA – o neutro é raríssimo. Mas existe.

Admito ser delírios de um escrevinhador. Mas delirar é preciso, numa época em que nos roubaram até mesmo os mais acalentados sonhos. Como é possível haver quem não reconheça ser, a Vida, um milagre, graça, privilégio? E que, portanto, há que ser dignificada? Que loucura é essa de acreditar haver donos no e do Mundo, se somos, apenas, hóspedes, passageiros? Quem, ao morrer – e não importa haja ou não outra forma de existência – levará um só punhadinho de terra daqui? Dia chegará em que aprenderemos ser apenas condôminos de tantos bens. E, então, haverá mais respeito. Quem sabe?

Mas estou apenas querendo escrever a necessidade que penso ser cada vez mais urgente em nossos tempos: a premência do feminino. Penso em céus e infernos, tão masculinos. Então, vejo-me na Terra, tão feminina, onde acontecem a existência, a alegria, a dor, a fé, a esperança, a tristeza – realidades identificadas como femininas. O Mundo, masculino; a Terra, feminina. O mar, o oceano, masculinos: a praia, a areia, as ondas, a água, femininas. A noite, com seus mistérios, medos, inquietações e maravilhamentos – toda feminina. O dia, exposto, revelado, exigente – masculino. Pensem bem: o dia-a-dia desaf